nos momentos à noite em que ela me encontra e concluo...
Agarrei no ar a conclusão
Chegou leve e com simplicidade
Depois um baque, um turbilhão
De abusada sensibilidade
Tento dar um passo em frente
Fora da escuridão
Todos os dias o encargo
Cada dia doce
Após dia amargo
É uma batalha interior
Poucas forças restam a expor
Para tudo o que está ao largo
Ainda assim tento
Mesmo sempre ciente
Que nunca é suficiente
Agora sei
Nunca será
Quando a agarrei
Nunca será
Concordar é relativo
Mas vejo ser imperativo
Demasiado sensível disseram
Diagnóstico de "ridícula" me deram
Uma vida a menos de uma vida que tinha
Há quem acrescente "coitadinha"
Ah, mas nunca estou sozinha
Tenho o peso da perda
A espera pela tragédia
A visão da solidão
A companhia da tristeza
A dor e a fraqueza
E a teimosia de seguir...
Por nenhuma razão
Qual é ela?
Senão o som da chuva
Leve na janela
E uma luz vinda dessa abertura
Imagino-a repleta de esperança
E amargura
De sonho e arrependimento
É a janela segura?
Livre de sofrimento?
Sinto todo esse peso às costas
Se ao menos o fosse libertando
Menos pesado o sentia
Mais firme cada passo seria
Esta melancolia
Eu sou...
Acho que tenho de me esconder dela
Por momentos meramente
E há vezes que me vem procurar
Sorri, dá-me um abraço quente
Sinto culpa por a tentar ignorar
A maior parte deste tempo
E sinto o peso de viver
A pressão de correr atrás da felicidade
Já me vi em momentos a ganhar
E os meus olhos ficam turvos
Com o nevoeiro que vai transformar
Tudo de bom num nó
E vejo-me novamente só
Não há mais ninguém aqui
Só a névoa impenetrável
Até a noite terminar
A lua ir descansar
E o dia regressar


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