🎬 Bugonia - a minha nova resposta à pergunta "qual é o teu filme favorito?"
Confesso: o trailer de Bugonia não me disse absolutamente nada. Quase que não fui ver o filme ao cinema, e ainda bem que não segui esse instinto. Nada me preparou para o que Yorgos Lanthimos faz aqui - uma espécie de experiência sensorial onde a banda sonora e o enquadramento das cenas criam uma dança estranha, meio hipnótica. Há momentos em que a música é épica, grandiosa, quase apocalíptica… e depois a imagem é completamente banal, quotidiana. Essa dissonância passou-me, para além dos diálogos - já lá vamos - o espírito das personagens e como o mundo as vê: grandiosas dentro da própria cabeça, insignificantes aos olhos de quem observa de fora. Quanto aos diálogos, e impressionantes monólogos, levam o espectador ao longo do filme, e meio que ironicamente, a criar as suas próprias teorias sobre a história, que em si sobre uma suposta teoria da conspiração. Será que há ou não há aliens, afinal?
O mais fascinante é que Bugonia parece, à primeira vista, uma crítica social, e é - mas também não é bem isso. O filme move-se mais como uma comédia absurda, confusa de propósito, que nos deixa constantemente a meio caminho entre o riso e a estranheza. Cada personagem é construído com tanto detalhe que, apesar da excentricidade, sentimos que as conhecemos profundamente. Também a contar bastante o excelente trabalho dos atores:
Emma Stone faz o seu já conhecido trabalho impecável neste ambiente surreal de Lanthimos. Jesse Plemons, digamos, está no seu habitat natural, uma personagem underdog, nem bonzinho, nem vilão, mas algo a que poucos conseguiriam dar vida de forma tão convincente. E também Aidan Delbis, o jovem ator no espectro do autismo, que faz uma ponte essencial e profunda entre as duas personagens principais.
Em cada personagem há um fundo de humanidade, que nos faz ter empatia por todas elas, da mais frágil à mais caricaturada. Achei até bastante curioso como num filme sobre pessoas que vivem à margem da norma da sociedade, e possíveis alienígenas, haja tanta humanidade.
E depois, há o plot twist final, que me deixou completamente estupefacta. A certa altura percebi que estava a ver um filme que reúne vários géneros, vários tons, várias ideias - e que, por alguma razão, tudo encaixa perfeitamente. Saí da sala de cinema com a sensação inesperada de ter visto uma obra-prima. Algo que abre qualquer coisa dentro de nós, que rearruma ligeiramente a forma como olhamos para o mundo.
No fim, dei por mim a repensar a minha opinião/preconceito sobre aqueles que a sociedade rotula de “maluquinhos das teorias da conspiração”, mas também por aqueles CEOs supostamente malvados, produtos do capitalismo e da própria confusão humana. Mas acima de tudo, fiquei com uma tristeza bonita - aquela percepção de que a vida humana é ao mesmo tempo maravilhosa e tão pequena, tão banal.
Bugonia faz-nos rir, pensar e sentir um enorme carinho pelo planeta inteiro, quase como um lembrete de que somos tudo e nada ao mesmo tempo.
Classificação: ⭐⭐⭐⭐⭐
Diana Filipa

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