top 10 filmes que vi em 2025
10. Anora (2024)
Um filme que parece leve, quase uma comédia romântica indie, mas que se vai revelando à medida que percebemos que aquela história de "cinderela" tem como base nada mais que poder, dinheiro e ilusões. O que mais me marcou foi esse contraste entre a energia caótica, divertida e sonhadora e uma completa desilusão estrutural que nos estraga sempre os planos. Neste filme, os "maus" são tão humanos - e diga-se de passagem, cómicos - quanto os "bons" da fita. Contudo, também não romantiza o sistema injusto e cruel que os controla a todos. É daqueles filmes que nos faz rir à gargalhada, enquanto nos mostra algo profundamente condenável e feio.
9. Conclave (2024)
Um thriller político / drama religioso, dois temas interessantes mesclados num só. O filme usa o Vaticano como palco para falar de jogos de poder, vaidade e medo da mudança. Muitas vezes disfaçada de formalidades, mas que não passam de erros humanos (e bastante mesquinhos). O que mais gostei foi mesmo a personagem principal, a dúvida que temos sobre o seu verdadeiro carácter até ao final. As imagens mostram muitos sentimentos contidos, olhares, silêncios, corredores, portas fechadas. É uma história sobre a velha rivalidade entre poder vs razão. É inquietante em vários momentos. Já o final, apesar de surpreendente, parece quase fora de contexto, mas para mim foi a decisão certa para criar o maior impacto possível.
8. Amadeus (1984)
Um filme sobre Mozart, que na verdade é uma história de inveja. Sobre o terror de perceber que, por muito que tentemos, nunca seremos o melhor. E que para além disso, que esse ser genial que nos atormenta não se esforça, nem dá valor ao que tem. Salieri não é um vilão clássico - é alguém profundamente humano, esmagado pela consciência da própria mediocridade. A música é absolutamente maravilhosa, mas a história é cruel. Amadeus transforma o talento natural numa tragédia e faz-nos pensar que a beleza também pode ser tão injusta.
7. Captain Fantastic (2016)
Adorei este filme, porque não dá para escolher um lados fácil. Apesar de mostrar uma vida fora do sistema, não idealiza esta escolha, nem glorifica totalmente o "mundo normal". É sobre um pai que quer o melhor e sobre filhos que precisam de mais do que uma ideologia para crescer. O que mais me fez pensar é essa tensão constante entre amor, controlo e liberdade. Captain Fantastic não diz "este modo de vida é o melhor!" - diz antes "todas as formas de viver concretizam alguém, mas também magoam alguém". É uma história imparcial, dura, honesta. E na minha opinião acaba por se focar no que mais importa, a constante mutação que é ser humano.
6. Coraline (2009)
Um filme de animação que entende melhor a raiz do medo do que muitos filmes mais "adultos". A ideia de um mundo que parece perfeito, que no fundo te quer prender dentro de si, é uma metáforas algo perturbadora, neste caso sobre família, carência e manipulação emocional. Coraline fala sobre crescer e perceber que o amor real é sempre melhor e mais bonito do que qualquer amor "perfeito" e falso.
5. Adolescence (2025)
Não é um filme, é uma mini série, mas vejamos, podia ser só um filme muito longo. Adolescência não é só sobre ser jovem no mundo moderno, é exatamente sobre não se ser ainda, num mundo que nos ataca diariamente através dos nosso telemóvel. Quando nos tentamos descobrir e "encaixar", tudo dói mais, tudo parece definitivo, tudo parece muito mais pessoal. O que torna esta história tão forte é também não romantizar o sofrimento, torna-o trivial. É uma série que olha para a fragilidade emocional com muito respeito. Para além, claro, de ser uma obra prima de produção, representação, edição, a todos os níveis. É brutal!
4. A Real Pain (2024)
Um filme que usa o humor leve para falar de coisas que nunca são realmente resolvidas: luto e herança emocional. E no fundo, o filme também não tenta "curar" nada nas personagens, apenas as acompanha enquanto tropeçam umas nas outras. É triste e estranhamente engraçado. Pessoalmente revi-me em muitos dos pensamento sobre o mundo e asociedade da personagem principal. A dor em não aceitar que por muito que tentemos, muitas vezes não conseguimos ser 100% livres, criativos, felizes, nós próprios e bem sucedidos, tudo ao mesmo tempo.
3. Bo Burnham: Inside (2021)
Outro "não filme", mas na minha opinião é mais cinema do que muitos filmes. Já tinha visto quando saiu, revi este ano antes do Natal e voltei a adorar. talvez até mais agora, com alguma distância da temática, a pandemia mundial e o confinamento. Bo Burnhum consegue representar alguém a desintegrar-se em tempo real, mas com luzes brilhantes, piadas geniais e uma consciência superior de si próprio. O que o torna ainda mais genial é que nunca sabemos onde acaba a performance e começa a mais profunda depressão. mas esse é o objetivo. Inside é sobre estar preso dentro da própria cabeça num mundo que exige que sejas entretenimento mesmo quando estás a cair aos bocados.
2. All of Us Strangers (2023) & Steve (2025) *um empate
Estes dois juntos fazem todo o sentido para mim.
São filmes etéreos, quase como memórias em forma de cinema. Histórias sobre solidão, amor e fantasmas, literais e emocionais. Ambos falam de pessoas que vivem entre mundos: entre o passado e o presente, entre o que foi e o que nunca será. O que os torna devastadores é essa tristeza bela, que eu adoro quando retratada de forma tão delicada e imersiva. As histórias falam ambas de relações difíceis com a saúde mental e a sensação de que algumas dores nunca passam. Vão-se tornando mais suaves com o tempo...
1. Bugonia (2025)
Este foi o melhor filme que vi este ano, porque é estranho, político, absurdo, emocional, é literalmente tudo ao mesmo tempo. Bugonia olha para o mundo como se ele estivesse meio enlouquecido, e talvez esteja. A mistura de humor, paranoia, música épica e a banalidade do dia-a-dia cria uma sensação quase sobrenatural. No fundo estamos todos a tentar sobreviver dentro de um sistema que não faz sentido, é impossível alguém não se identificar. É um filme que parece uma bela piada, mas que nos faz pensar... afinal a piada somos nós?
THE END
já a seguir: 2026












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