E o invisível sentir
O que somos
Quem somos
E se isso interessa
No escuro do universo?
Alguém conversa
A flutuar no escuro
Do nada que nos envolve?
Dito importante afinal
E nem entendido no total
Intrinsecamente sós
Incapazes de o ser
Carente de conversa ansa
Que não acalenta o ter
Vivalma de pouca esperança
O que somos?
Não em matéria física
O que nos faz querer?
Tanto pensar ou escrever
O que nos faz criar?
Imagens a andar
E música a tocar
Quem somos?
De onde vem o que se sente
Lá internamente
Raro é chamado à frente
Tanto de bom
Como de sofrimento
Tal ferida invisível
Que nega ao sentimento
Seu próprio sarar
Pois fica por dentro
Do que conta aparentar
Como se ser fragmento
Se o todo é emoção
Mais ou menos forte vento
Que abana o coração
Somos massa a caminhar
E de repente falta o ar...
Cada dia
Após dia
Após dia
Após dia e cada impressão
É razão por que sofria
Quando a própria razão
Chama a si a apatia
Somos por fora ou por dentro?
Batalhas entre ambos
Íman sem metal em frente
Em queda absurda para sempre
Existe-se
E em volta o escuro
Terrivelmente infinito
Tão imperceptivelmente imenso
Que é por pouco esquecido
Como é brilhante e desconhecido
Surpreendente e fascinante
Assustador e Arrepiante
Faz tudo acontecer
Mas nem deve saber
De todo o que o faz ser
E a cada buraco negro
Impossível de resolver
Nasce sede de um poder
Que mesmo não sendo verdade
Faz desejar a própria sorte
Por cima de alheia morte
E lá se vai a humanidade
Parece quase natural
Realidade surreal
Somos apenas humanos
Nada a mais
Tão diferentes como iguais
E nada a menos
Do que uma vida temos
Para com o corpo crescer e evoluir
A mente aprender e construir
E o invisível sentir


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