The Odyssey - Nem Todos os Heróis Precisam de Gritar
Matt Damon está, indiscutivelmente, espetacular. A interpretação que dá vida a Ulisses é intensa e contida, quando necessário, e repleta de subtileza. O carácter transmitido por esta personagem reside muitas vezes no olhar e nos silêncios. Nolan utiliza, na maior parte do filme, close-ups impressionantes, fazendo com que a ação dependa muitas vezes apenas da interpretação.
Em contraste, as sequências de batalha revelam toda a dimensão da obra. A escala é monumental, mas nunca achei demasiado gratuita. Cada batalha acrescenta algo à narrativa e, à medida que a história avança, vamos descobrindo novos detalhes sobre os feitos de Ulisses e sobre o homem escondido por trás da lenda.
Um dos aspetos mais admiráveis da produção, e que me criou mais expectativa antecipada, é também o recurso a cenários construídos fisicamente e a locais reais. Num período em que grande parte das grandes produções assenta em ambientes gerados por computador, é muito bom ver um realizador continuar a apostar na construção física do mundo que quer contar. A cenografia, a fotografia, a interpretação e a realização unem-se para lembrar que a sétima arte continua a ser construída por pessoas.
Quanto ao guarda-roupa, penso que não foi procurada uma reconstrução histórica rigorosa da Grécia Antiga, mas sim uma linguagem visual estilizada, moldada para servir a narrativa e o imaginário da obra. Os figurinos transmitem a identidade das personagens e a dimensão mítica desta história, reforçando a sua possível intemporalidade.
Já a banda sonora, também bastante falada devido ao processo criativo utilizado para a sua composição. Em vez de recorrer a uma grande orquestra para amplificar a grandiosidade do filme, a música escolhe muitas vezes um caminho mais intimista. Essa opção permite que o tal silêncio e a interpretação dos atores ganhem mais espaço. É uma escolha pouco óbvia para um épico desta dimensão mas, precisamente por isso, acaba por lhe dar uma personalidade única.
Mais do que uma adaptação de Homero, na minha opinião, The Odyssey serve uma homenagem ao próprio cinema: à sua capacidade de criar mundos, de emocionar através da imagem e de nos fazer acreditar, durante algumas horas, que os grandes mitos continuam vivos.
Classificação: ⭐⭐⭐⭐⭐
Diana Filipa



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